quinta-feira, 15 de abril de 2021

Capivari do Sul - RS

 Eu sempre achei que minha história com a fazenda do Capivari era a partir dos meus 12 anos e o dono da mesma, Tio Zuzu, achou graça e disse-me que eu frequentava desde nenê hehehe

 Tio Zuzu (João), Tia Lilia, Dedéia (Andréa), Tiça (Patrícia), Iso (Luís) e Tilica (Marcelino), a família amada que nos acolhia nos verões gaúchos.

Esta cidade fica perto de Porto Alegre - RS. Perto da fazenda, tem um entroncamento com a Estrada do Inferno, para onde vai à cidade de Palmares do Sul e Mostardas.

Eu me apaixonei por este ambiente de fazenda. Apre"ciava e aproveitava cada momento.

Sempre gostei de acordar cedo e aproveitava mais que todos que permaneciam dormindo.

A querida Lucy, fazia um pão sovado com erva doce, inesquecível. Eu gostava de acompanhar enquanto ela sovava.

Acompanhava o tio Zuzu no entardecer, hora do chimarrão, conversávamos de tudo. Neste mesmo horário, os empregados da fazenda, traziam as vacas com seus terneiros para a "mangueira" ou Curral. Logo que amanhecia o dia, eles tiravam o leite das vacas.

Eu e tia Lilia, esfomeadas, acordávamos cedo e íamos na cozinha ver o que o pessoal que tinha tomado café para depois ir para o serviço no campo, tinha deixado para nós kkkkk 

Farofa com ovos, carne desfiada com farofa, feijão mexido, pão caseiro, geleia de laranja (feita pela tia Lilia).... maravilhas!

Outra iguaria era o feijão preto da Célia. Um dia ela me contou um segredo, coloca um pouco de açúcar, ficava divino.

Eu adorava a Catarina. Ela era responsável pela arrumação da casa e quartos. Como eu já tocava violão e cantava, fazia serenata enquanto ela trabalhava (cigarra e formiga) hehehe

Sempre amei o nascer e o por do sol. Assisti vários neste local divino. Perto da casa tinha um açude que encantava mais ainda a paisagem.

Perto da casa, no pátio, tinha uma figueira centenária. Ainda deve estar lá...

Como eram plantadores de arroz, perto da residência, tinha um conduto d´água que levava água para o arrozal. Tomávamos banhos maravilhosos. 



Capivari/Palmares do Sul

 Minha amada Mãe, aos 15 anos, fez amizade com algumas vizinhas que moravam ao lado da casa da família dela no Moinhos de Vento.

Estas amigas eram de famílias fazendeiras, plantadores de arroz na região do Capivari do Sul e Palmares do Sul,  perto de Porto Alegre - RS.

Cresceram juntas. Passavam os verões em Cidreira ( praia gaúcha) e nas fazendas dos pais delas.

A localização das fazendas eram: Capivari do Sul; Palmares do Sul e Mostardas.

Depois que todas casaram, continuaram esta bela amizade, apesar da distância. Minha Mãe casou com um Oficial do Exército (Pai) e morou em várias cidades do Brasil. 

Com o tempo, os filhos foram crescendo e frequentando também estas belas propriedades que marcaram nossa infância e adolescência.

Em geral, passávamos alguns dias no inverno. No verão, às vezes, um mês inteiro.

Nós somos muito gratos ( eu e meus irmãos) a esta amizade pura e verdadeira. Até hoje somos todos amigos.

Inclusive, a maioria deles nos apoiou e acolheu no momento mais doloroso de nossas vidas, a perda de nossa Amada e Linda Mãe, Mariazinha. Com 40 anos de idade, ela se foi. Enfarto no Miocárdio.





sábado, 27 de março de 2021

Porto Alegre, 1974/1975

 Chegamos em Porto Alegre - RS. Meus pais tinham um apto na rua Tobias da Silva. Apartamento vendido pela Avó Materna, Adda Moreira. Este prédio de 4 andares foi construído a pedido do meu Avô Materno, Raul Moreira. Edifício São Manoel. Está lá até hoje, ao lado do estacionamento do Shopping Moinhos.

Eu tinha 11 anos. Fui matriculada no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, tradicional em Porto Alegre. Reencontrei algumas amigas de infância e primas-irmãs.

Fiz grandes amizades que convivo até hoje. O Colégio é um espetáculo. Aprendi artesanatos, aulas de canto e fiz ótimas excursões. Como já tocava violão e cantava, levava para o ônibus e alegrava a viagem.

Sou filha de um grande piadista e dizem que "Sangue não é água". Herdei este dom divertido e também contava piada nas excursões.

Eu morava perto da Praça Maurício Cardoso, bairro Moinhos de Vento. Uma vez por mês, alguns colegas do CBC (Colégio Bom Conselho), se reuniam para brincar na Praça. O Administrador era o Seu Camelo. Conhecia a minha família Moreira que viveram muitos anos neste Bairro, na rua Félix da Cunha.

Alguns primos-irmãos, estudavam no Colégio Anchieta e se juntavam a nós para brincar na Praça.

Nesta Praça tinham algumas doações da Casa dos meus Avós Maternos. Bancos, chafariz....

Neste ano conheci as "reuniões dançantes", inesquecíveis. Todos se respeitavam. As meninas esperavam os meninos as tirarem para dançar. Usávamos roupas bem femininas, "jardineiras", tamancos, meia-calça e não podia faltar o perfume. 

Fiz uma participação no Colégio Bom Conselho. As freiras (Franciscanas), precisavam alguém para desenhar no "quadro negro". Este desenho apareceu em uma fotografia de toda a turma e foi para a Itália. Todas nós ganhamos uma cópia da foto.

Neste período, minha amada Mãe, Mariazinha, continuou com suas obras de caridade no Hospital Santa Casa. Tocava e cantava para crianças doentes. Depois vim a saber que meu Avô Materno, Dr Raul Moreira, Pediatra, foi um dos pioneiros na abertura deste setor de Pediatria na Santa Casa de Misericórdia.. 

Meus Pais trabalhavam com Retiros da Igreja Católica. Lá, minha Mãe conheceu estes trabalhos de caridade. Sempre desejei fazer o mesmo, achava sensacional esta doação aos irmãos necessitados.

Ela também cantava em Asilos. Algumas vezes eu á acompanhava.

Neste ano, meu Pai, Militar, achou por bem que os filhos soubessem lidar com armas, já que estas se encontravam dentro de nossa casa. Sou a filha mais velha e também a que simpatizou com a ideia. Ele me levava escondido da minha Mãe para me dar instruções no CPOR. O que ele não esperava é que a filha fosse gostar tanto. Eu ficava cobrando quando ele me levaria de novo. Um dia minha Mãe descobriu e não acreditou, ficou uma fera kkkkkkk

Fomos morar em Brasília-DF, lá, continuei pedindo ao meu Pai que continuássemos treinando tiro.

Se não fosse o preconceito da época, poderia ter seguido como esporte na minha vida. Puxei a ele e tenho destreza em manejar com arma.

Enfim, são fases...pensei que não me lembraria mais como atirar se ficasse muitos anos sem treinar. Para minha surpresa, 14 anos depois, tive oportunidade e atirei muito bem.



Corumbá - MS

 Fomos morar em 1973, na cidade de Corumbá - MS.

Um ano e meio de muitas curiosidades e lembranças inesquecíveis.

 Na capital Campo Grande, embarcamos e ficamos a noite inteira em um uma cabine com beliches .Quando amanheceu, bateram na porta para entregar uma bandeja com o café da manhã. Tudo simples, mas, maravilhoso.

Não tem como esquecer o barulho do trem.

Eu tinha 10 anos e nesta idade já tem uma certa "independência", principalmente em uma cidade de interior do Mato Grosso do Sul.

Adorava meu Colégio Ginasial, GENIC (irmãs católicas, salesianas). As freiras tiveram uma ideia curiosa e bonita. Quando os alunos escutassem a música do Roberto Carlos: "O Homem", canção lindíssima descrevendo Jesus Cristo, os alunos tinham que se dirigir às salas de aula.

Nesta região tem muitos árabes e turcos e tinha uma colega que tinha cabelos longos e negros e não consigo esquecer até hoje o perfume de sabonete PHEBO  (preto), que se espalhava por toda a sala de aula.

Na volta do Colégio não podia deixar de passar na padaria e comprar a melhor coxinha de galinha do mundo. É claro que eu comia no percurso para casa e ninguém nunca soube kkkkk

A colega mais chegada a mim, Lúcia Philbois, era filha de um joalheiro importante da cidade.

Ela pediu aulas de violão comigo e anos depois descobri que canta e toca muito bem.

Os filhos de militares que moravam nesta época e ficaram muito nossos amigos, eram também, muito moleques. Um deles, Luiz Carlos,  me jogou dentro da piscina com roupa e sacola, inacreditável. Resolvi me "vingar" e indiquei para ele e irmãos, um cinema na cidade que era famoso pelas pulgas kkkkkkk estão se coçando até hoje hehehe

Um dos irmãos (Paulinho), me convidou para passear de bicicleta (monark azul), quando eu notei, ele entrou em um bairro barra pesada. No dia seguinte, furtaram minha bicicleta de dentro do quarto onde guardávamos, pelo menos a dele também foi.

Fizemos um passeio de trem até à fazenda de um amigo (Mônaco) da cidade. O detalhe é que a água da enchente (1974) ainda não tinha escoado. Foi impressionante. O som do trem passando na água foi incrível. Chegando lá, fomos buscados com uma carreta de bois. A água quase tocava em nós. Até hoje não sei porque meus pais fizeram esta aventura. Durante o percurso de trem tinham vários jacarés à vista.

Tivemos um periquito todo verde, de estimação. Ele falava algumas palavras e cortamos as pontas das asas para ele  circular pela casa. Eu adorava a "Cocota". Ele não podia ver minha irmã kkkk 

Tivemos dois gatos, paixões do nosso irmão Mauro (Mau Mau ou Maurinho)

Minha mãe fez muitos trabalhos voluntários nesta época, sempre foi um grande exemplo para nós. Às vezes a acompanhava quando ia cantar e tocar no Asilo da Cidade. Levava fumo de rolo para os velhos e balas para as senhoras. Hoje sabemos que não se deve levar fumo e alimentos para os idosos.

 Se dizia apaixonada pelo por do sol de Corumbá. Esta cidade fica ao lado do rio Paraguai, fronteira com a Bolívia (Puerto Suares).

Devido ao seu talento com o canto e violão, era convidada para cantar em algumas festas e nos Retiros da Igreja Católica.

Ela aperfeiçoou o dom da pintura de quadros a óleo e o Professor era Paraguaio (Burgos). Muitos foram presenteados com suas obras de arte.

Fomos "apresentados" para a barata d'água. Elas circulavam dentro da piscina do Clube Corumbaense. Só com um calor de 40 graus para tomar banho com elas hehehe

Estávamos morando em Corumbá quando teve a enchente de 1974, o rio Paraguai = Pantanal, transbordou. As baratas d'água, perderam seus ninhos e vieram se acomodar nas piscinas dos Clubes. Era valentia tomar banho com elas. São grandes, cascudas e com garras. Olhem no google.

Trouxemos de lembrança os ponchos feitos pelas bolivianas, com pelo de Lhamas.

Passeamos de lancha no rio Paraguai e paramos em um sítio que nos presentearam com cana de açucar.

Passeamos também em um embarcação de dois andares pelo no pantanal. A programação incluía um almoço em uma fazenda na beira do rio Paraguai. Lá, descobri que o mato-grossense gosta de comer a mandioca amarela (gema de ovo), só que fria e ainda meio dura. Outro hábito alimentar é colocar vinagrete sobre as carnes do churrasco. 

Meu pai foi transferido para Porto Alegre - RS. Nunca esqueceremos Corumbá.

https://www.google.com/search?q=barat%C3%A3o+do+pantanal&oq=barat%C3%A2o+do+pantanal&aqs=chrome.1.69i57j0i22i30.12720j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8


sexta-feira, 26 de março de 2021

Dois anos no paraíso (Praia Vermelha) - Urca - RJ

 Em 1971, meu amado Pai, Rudá, passou em um dos Concursos mais difíceis do Exército Brasileiro.

Este Curso corresponde ao Doutorado. Muito me orgulho deste feito. Acompanhei os momentos de estudos intensos.

Os alunos deste Curso (ECEME), tem o direito de ocupar os apartamentos dos três prédios de 14 andares, que ficam na Praia Vermelha-Urca, 150m da praia.

Costeando a pedra do "Pão de Açucar", havia uma trilha criada com o objetivo de passeios e caminhadas. A vista é espetacular. Dá para ver a cidade de Niterói. Meu pai chamava a trilha de "transamazônica". Para que ele conseguisse que caminhássemos próximos a ele no passeio, dizia que tinha onça morando nos matos e era melhor ficar perto dele. Neste local também criaram um balanço, tipo cipó para as crianças se embalar.

Neste período foi inaugurado um bondinho novo para o passeio da programação do "Pão de Açúcar". As crianças adoraram a notícia que as pessoas poderiam passear o dia todo de graça

Nesta praia, chamada "Praia Vermelha", uma característica era a areia grossa e meio amarelada. O mar era lindo, mas, logo que entrava, já era fundo. Ali aperfeiçoei a natação, ensinada pelo meu amado Pai.

O Círculo Militar da Praia Vermelha, foi o local onde vimos pela primeira vez, a TV colorida.

Uma rotina na cidade do RJ, é ver as filmagens de novelas da Globo. Devido à beleza deste Bairro da Urca, fomos contemplados com algumas delas. A principal foi "Selva de Pedra". O Elenco famoso estava todo lá: Francisco Cuoco, Regina Duarte e outros.

Eu adorava ir para o Colégio, vocês saberão por que. Ficava dentro do Forte São João, um pequeno pedaço do paraíso na URCA. Perto da Praia Vermelha. Íamos de ônibus escolar. Em vez de prestar atenção nas aulas, ficava assistindo os alpinistas, escalar a pedra do "Pão de Açucar" kkkk

Eu adorava a hora do lanche no meio da manhã. Era um Colégio Público e ofereciam refeições no recreio. Eu não recusava, mas, nunca ia quando diziam que era mingau de FUBÀ. O nome era feio. Não perguntei para meus pais o que era e perdi de comer esta maravilha de mingau de milho kkkkkkkk

Eu reconheço que herdei um temperamento muito carioca. Me entendo bem com eles. Sou extrovertida, carismática, envolvente, simpática, camarada e modesta kkkkkkk

Alguns coleguinhas de aula me atrapalhavam a atenção, enviando bilhetinhos, assoviando, desenhando para mim, cantando....enfim, impossível estudar hehehe

Só não rodei de ano por que a Professora sugeriu aos meus pais, reforço com aulas particulares de matemática.

Um dia me chamaram na sala de aula para dizer que tinham dois garotos brigando por mim no pátio, eu não acreditei. Fui lá olhar. Um morava no meu prédio dos militares, Juarez. O outro era um coleguinha de aula, Paulo Fernando. Com 9 anos, não tinha idade e nem disposição para namorar kkkkk

Ficaram curiosos(as) para saber de quem eu gostava? Era do colega de aula. Educado, lindo e olhos azuis.

Em 1972 começaram as missas com violões. Minha amada mãe, Mariazinha, participava tocando e cantando. A família toda comparecia: Minha irmã linda, Maria Inês (07 anos) e meu amado irmão Maurinho (04 anos), estavam sempre presentes.

Cada vez que voltávamos para casa, eu pedia para minha mãe ensinar uma das músicas no violão.

Grande oportunidade para desenvolver a técnica de tocar e cantar. Já com 08 anos, minha pasta de músicas foi crescendo.

Somos uma família espiritualizada e apaixonados por Jesus Cristo e Maria de Nazaré. Minhas músicas prediletas eram as de louvor.

Aos poucos descobri que tocava de ouvido, dom herdado das duas linhas familiares, Moreira e Freitas.

Com 09 anos me encantei com as canções de Roberto Carlos. Músicas de conteúdo puro e românticas.

As que mais apreciava eram: "Como é grande meu amor por você" e "Debaixo dos Caracóis dos teus cabelos", "A montanha", "Jesus Cristo"... Outra canção que gostava muito: "Eu te amo meu Brasil" (Os incríveis).

Algumas canções tocadas na missa: "Belo para mim", "Como é grande meu amor por você", "Deixa a luz do céu entrar", "De colores", "Oração de um jovem triste" (Antônio Marcos), "Balada da Caridade", "Creio", "Morrer de Amor", "Oração de São Francisco", "O Evangelho"...

Minha amada mãe tinha um disco chamado: "De Colores" da Igreja Católica, crescemos escutando estas canções em casa. Aos 10 anos já tocava todas elas.

Dom para tocar violão e cantar

 Em 1969, morávamos no Rio de Janeiro, Zona Oeste. Lá se concentram vários quartéis do Exército Brasileiro.

Moramos na Vila Militar de Realengo.(

Minha amada, talentosa e linda mãe, Mariazinha, ensinava violão para principiantes.

Eu tinha 6 anos e gostava de espiar as aulas. Ela sempre pedia para eu me afastar dizendo que estava dando aula. Começou a notar a minha insistência e concluiu que a pequena filha estava interessada em aprender. Compraram um violão menor e começou a me ensinar as primeiras notas no violão.

Aprendi a cantar também e logo ela viu que a filhinha tinha futuro.

Aos oito anos ganhei algumas músicas com notas para ensaiar e apresentar para a Vovó que ia às vezes ao RJ.

As primeiras canções eram de  Erasmo Carlos (O pica pau), Wilson Simonal ( Meu limão, meu limoeiro), Wanderley Cardoso (Meu bom rapaz), a valsa Lili (Hi Lili, Hi Lili, Hi Lo), "Botei meu sapatinho", Noite Feliz e outras....

quinta-feira, 25 de março de 2021

Os primeiros meses da minha vida

 Eu fui gerada em Santa Rosa - RS e meus pais, Rudá Silveira de Oliveira Freitas e Maria Isabel Moreira Freitas (já falecida),  resolveram ir para Porto Alegre - RS, para que meu Avô Materno, Raul Moreira, Pediatra, acompanhasse o meu nascimento.

O médico Obstetra era Eugênio Rache (Tio Geninho), já falecido. O Hospital foi o São Francisco, dentro do Complexo Santa Casa de Misericórdia.

Após meu nascimento, dia 03 de Outubro de 1962, meus pais voltaram para Santa Rosa comigo, de avião.

Em Dezembro meu pai (oficial do Exército),  foi transferido para Resende - RJ.

Conclusão, sou "cigana" desde o nascimento.